Ex-catadora abre casa de apoio para cuidar de filhos de trabalhadoras do lixão - 1ª Parte

Pois é gente, segundo o G1, com quatro filhos pequenos e sem encontrar vagas nas duas creches públicas da Estrutural, a ex-catadora de materiais recicláveis Márcia Pinheiro transformou a dificuldade em solução para um dos maiores problemas sociais daquela região. Movida pela necessidade e espírito inquieto, a moradora da chácara Santa Luzia – uma área invadida próxima ao maior lixão da América Latina – fez da própria casa um lugar de apoio para acolher, de graça, os filhos de outras catadoras do lixão. "As pessoas falam que sou doida porque me privei de ter uma casa para dar abrigo aos outros. Hoje tudo que é meu é das outras pessoas também." O projeto Artes e Sonhos ganhou vida no ano passado. O que antes eram quatro cômodos da casa, ocupados por seis pessoas, foi transformado em um espaço pensado para acolher até 30 crianças, de segunda a sexta-feira. “Não aguentava mais trabalhar no lixo. Ai pensei: se eu fizer uma 'creche', não vou precisar pagar uma para meus filhos e ainda ajudo outras mulheres.” Adepta da teoria de que a "educação transforma", Márcia não se contentou só com o acolhimento durante os dias úteis. Com o apoio de outros voluntários, a ex-catadora passou a oferecer aulas de inglês, pintura e matemática para jovens da comunidade durante o fim de semana. Aos sábados e domingos a casa recebe, em média, 120 adolescentes. Os professores são todos voluntários. "A gente espera isso do governo, que ajude a quem precisa. Agora, eu tendo que fazer isso, vão enxergar que é uma vergonha pra o GDF esperar por uma catadora, que ganha R$ 350, para abrir uma casa de apoio." O mesmo problema de "falta de vagas em creches da região" é citado pela catadora Jéssica Matias, de 25 anos. Ó Wall!!! Continua...

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